Desvendar
o estilo da banca examinadora é um dos passos fundamentais na trajetória rumo à
aprovação em um concurso público.
E
essa máxima é ainda mais crucial quando o concurso é organizado pelo Centro de
Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), pertencente à Fundação Universidade
de Brasília.
Com
fama de ser a banca mais temida pelos concurseiros, o Cespe organiza concursos
da Polícia Federal, Abin, Banco Central, agências reguladoras, entre outros.
Seu estilo é peculiar, segundo especialistas consultados por Exame.com. Veja
alguns fatos sobre o perfil da banca citados por eles:
1.
Modelo certo e errado pede atenção redobrada
“As
provas objetivas não são de múltipla escolha”, diz Paulo Estrella, diretor
pedagógico da Academia do Concurso.
O
Cespe aposta em questões em que é preciso assinalar certo e errado nos
enunciados. “Isso pede atenção redobrada dos candidatos”, diz a professora
Letícia Debom, do site Gabarita Português.
“Precisa
ter conhecimento, demanda interpretação de texto e não é possível responder por
eliminação de alternativas”, lembra Estrella. De acordo com ele, embora seja
temida, a banca favorece quem estuda e tem domínio da matéria.
2.
Questões pedem entendimento muito além da “decoreba”
Decorar
conteúdo pode não ser uma boa estratégia. Na opinião de Alexandre Prado,
diretor do site Concurso Virtual, o modelo de prova privilegia uso de
contextualização e interdisciplinaridade.
“O
candidato não deve desprezar o conhecimento adquirido por meio de memorização,
mas deve buscar um entendimento mais aprofundado dos temas”, diz Prado.
Isso
acontece porque muitas questões são elaboradas a partir de simulações de casos
concretos. “É uma banca que cobra, na parte de Direito, muito além do texto das
leis, exigindo conhecimentos de interpretação dessas normas”, afirma o diretor
do site Concurso Virtual.
3.
Erros anulam acertos
Em
provas do Cespe, candidatos não só deixam de ganhar como perdem pontos com
erros. “Estatisticamente o concurseiro tem 50% de chance de acertar e 50% de chance
de errar, neste modelo certo e errado. Por esse raciocínio, uma pessoa que
chuta poderia acertar metade da prova e errar a outra metade. Mas se fizer isso
toma zero, porque quando erra perde ponto”, explica o diretor pedagógico da
Academia do Concurso.
4.
Quem deixa em branco não ganha nem perde ponto
As
provas objetivas do Cespe permitem três tipos de resposta: certo, errado e em
branco. “Quando o candidato não sabe a resposta, pode ser melhor deixar em
branco, porque ele não vai ganhar nem perder pontos”, diz Estrella.
5.
É possível treinar com provas de concursos para cargos de mesmo nível
Por
ser uma banca tradicional e responsável pela organização de muitos concursos, o
volume de questões de concursos anteriores é enorme.
Segundo
Paulo Estrella, concurseiros não devem se ater à resolução de questões apenas
de concursos anteriores específicos para o cargo que desejam.
“Questões
de concursos de nível superior do Cespe têm o mesmo nível de complexidade. Um
candidato à vaga na Polícia Federal pode treinar resolução de questões de
disciplinas que também são cobradas em outros concursos de nível superior”, diz
Estrella. Assim, de acordo com o especialista, as chances de encontrar no dia
da prova uma questão parecida aumentam bastante.
Disciplinas
como Direito Constitucional, Direito Administrativo, Português e Informática
são frequentes em editais de diferentes concursos, lembra Estrella.
6.
É mais difícil ter noção do desempenho logo depois da prova
Além
de cansativas, as provas do Cespe, no modelo como são estruturadas, não
permitem que o candidato tenha percepção clara do seu desempenho assim que sai
da sala de prova.
“É
normal, candidato achar que foi muito bem e ter ido mal, ou achar que foi muito
mal e ter conseguido um bom desempenho”, diz Estrella.
Fonte:
Exame.com/Camila Pati


Nenhum comentário:
Postar um comentário