Estudar,
comer. Estudar, dormir. Acordar para estudar. Tempo escasso para se divertir e
até mesmo descansar. Eis a rotina conhecida de todo concurseiro típico que, em
meio a livros, cadernos e anotações, ainda convive com a pressão e a angústia
pela aprovação. Fatores que só aumentam a cada minuto, conforme se aproxima o
dia da prova. Sentimentos naturais, sem dúvida. Mas que, quando não
controlados, podem se revelar adversários internos que, no momento crucial,
podem atrapalhar o desempenho e colocar em xeque toda a preparação. Fazer a
sonhada aprovação escorrer por entre os dedos, ir por água abaixo. Para baixar
o nível de estresse no dia da prova, a consultora em concursos públicos Lia
Salgado indica a prática de atividade aeróbica durante toda a preparação.
"Ela ajuda a controlar os níveis de estresse e também produz
neurotransmissores, o que é excelente", justifica. Diminuir o ritmo de
estudos na última semana também é recomendação da consultora. "Utilize
esse tempo apenas para as revisões finais e memorização de detalhes, como fórmulas
e prazos", aconselha.
Caso
não consiga controlar a ansiedade, o candidato poderá ter sérios problemas,
ainda mais se tiver algum problema de saúde. João Paulo Jund, assistente
jurídico de 24 anos, conta que no momento da realização do exame da OAB, não
conseguiu conter os nervos. "Eu tenho diabetes e, por causa da ansiedade,
tive picos de alta e baixa glicemia". João acabou reprovado em meio ao
cansaço, visão turva e sudorese, sintomas clássicos da instabilidade glicêmica.
A fim de evitar complicação como essa justo na hora da prova, Lia Salgado
recomenda "desligar" o cérebro durante as 24 horas que antecedem a
avaliação. O objetivo é descansar o corpo e a mente. "Uma caminhada ajuda
para o equilíbrio do candidato. A atividade lúdica é boa para relaxar e distrair
o concorrente da expectativa em relação ao dia seguinte. Estar com amigos ou
assistir a um bom filme também ajuda a tirar o foco da avaliação. Mas, é bom
ressaltar, qualquer atividade neste sentido deve ser feita sem exageros",
aconselha. Evitar bebidas alcóolicas, que comprometem o bom funcionamente do
cérebro, e se alimentar de maneira leve e saudável são outras dicas para a
véspera.
É
na véspera, aliás, que o candidato deve se organizar para a prova. Deixar para
o próprio dia a separação de documentos e materiais é um risco que não pode ser
experimentado. Concurseira experiente e aprovada em três concursos para a área
jurídica do Estado do Rio de Janeiro, o último para analista processual do
Ministério Público, Débora Alves de Oliveira faz um alerta neste sentido.
"Na véspera da prova é hora de organizar tudo que será necessário:
documentação, lanche, comprovante de inscrição...", enumera. Sem esse
cuidado, o risco de alguma coisa falhar na hora da avaliação aumenta. Foi o que
aconteceu com Vinicius Augusto Henrique, policial civil que, quando foi fazer o
teste físico para ingressar na instituição, esqueceu o exame médico. Um parente
precisou se deslocar cerca de 30 km para levar o documento a tempo. Foram
momentos de angústia dispensáveis. "Passei um nervosismo desnecessário
antes de uma avaliação bem difícil. Outras pessoas tiveram esse mesmo problema.
Algumas até foram eliminadas por isso", conta.
Uma
boa noite de sono no dia anterior também é fundamental. Muitas vezes, a insônia
prejudica o candidato. Carine Salvaterra, professora de Educação Física de 28
anos, dormiu bem no meio do vestibular. "Eu lembro que fui fazer a prova e
as questões de História continham textos gigantes. Apaguei e acordei com uma
candidata olhando pra mim", se diverte ela, hoje. Para evitar situações
peculiares como essa, Lia Salgado recomenda beber um chá natural e fazer
respirações pausadas e profundas na hora de dormir. Mas recorrer a remédios, do
tipo tranquilizantes, nem pensar. "São perigosos. Ainda mais em véspera de
prova, já que o candidato precisará estar com o cérebro em excelente
desempenho", atesta. Neste dia, o candidato deverá ter calculado o tempo
para chegar ao local, de preferência tendo feito o percurso no mesmo dia da
semana e hora da avaliação. "Sempre procuro sair com muita antecedência
para chegar tranquila e poder escolher um bom lugar para sentar, de preferência
sem sol ou fora do alcance direto do ar-condicionado", aconselha Débora.
O
auge do nervosismo é o momento da prova. Enquanto estiver fazendo as questões,
Lia recomenda o consumo de carboidrato a cada três horas, o que ajuda a manter
o cérebro ativo. "O candidato deverá levar barra de cereais, frutas ou
biscoitos para a sala, desde que não haja proibições indicadas no edital",
afirma. E para administrar o tempo para responder às questões, motivo de
desespero de muitos, a especialista ensina que a ordem de respostas das
disciplinas deverá ser escolhida na semana anterior, e não em cima da hora.
"É preciso reservar 30 minutos, aproximadamente, para a marcação do
cartão-resposta. Feito isso, o candidato pode dividir o tempo que restou pelo
número de questões que haverá em cada disciplina, observando as questões com
cálculo, que costumam ocupar mais tempo. Por fim, reservar 15 minutos como uma
espécie de coringa, para qualquer eventualidade". Lia Salgado lembra que o
nervosismo no dia da prova é comum. Mas reforça que, a essa altura, o que tinha
que ser estudado e assimilado já foi feito. Portanto, nesta hora não há tempo e
nem concentração a perder. "O importante é ser capaz de obter o melhor
resultado com o conhecimento que se tem", finaliza.
Fonte:
Folha Dirigida/Caio Belandi



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